domingo, 21 de junho de 2009

O meu tempo

Eis que me curvo e suplico:
para com as águas deste momento!
Sou apenas um homem minúsculo
numa cadeira minúscula
no dia tão, tão minúsculo
que minuscularei pro resto da vida.
A vida não corresponde. A vida
me furta o tempo sem calor, amarrotado
e já depositado nos bolsos.
Todas as minhas inquietações aí,
outrorgadas ao ar, coletando poeiras...
e eu, corpo velho e perdido
- senhor senhor devolva-me trint'anos -
vendo as plantas crescerem, cada dia
mais altas, cada dia mais imóveis.
E esta dor que não me larga!
E me devora, faminta...
não há de ser dor a percepção do que
sou... mas sim a do que não me tornei.
Meus queridos amigos em fotografias
(aí mui mais bonitos!) de areia,
podem doer, se assim eu quiser.
Mas logo a dor esvoaça em branco...
enquanto dessa janela
enquanto dessa calmaria
observo o sol descer o mundo.

1 comentário(s):

Kaic Aude disse...

Meu amigo, com o sol assim tão perto, essas plantas só tendem a ficar mais e mais belas. Abraços!