domingo, 17 de maio de 2009

Esta terra

Na janela, um vento que ruge pra dentro de casa.
No cristal, uma paixão antiga e descolorida.

Descobri a forma de uma paixão,
mas como mantê-la?

Se minhas mãos são pequenas,
se eu todo me compresso em minha pequenitude,
sou ínfimo e me exponho, sem motivos.

Quem sabe um dia volto a ser,
e essa fenda e essa magnitude
completarão de vez a vida inteiriça.

Sob a camisa vermelha
sob o peito sem disfarces
eis o peso de meu mundo!

Que dor tamanha reconhecer
que do mundo não escapamos mais!

As peças estão dispostas.

Mas não sei juntá-las.

Peço perdão pela ignorância minha.

Não nasci por entre clarividências.

Consumi apenas o que me foi entregue
e nada além resta que minha disciplina não
já tenha confrontado antes.

Sou o palhaço e todos, todos choram.

Coitados, mas salvá-los é impossível.

No final da tarde, e
na ceia posta à mesa
o mundo fecha-se. E vejo no furo,
nos contornos do abismo branco
e nos palcos dos dramáticos
o frio que tomou: esta terra, esta terra.

1 comentário(s):

Caqui disse...

goxxtei em especial :)