Eles correm atrás delas,
escondidas nas casas e acasos.
Não se perdem,
pois há sempre alguém a procurá-los.
E mal chegando, já vão saindo;
entraram apenas pelo prazer
de abandonar
(eles ou elas?).
Tese xx xy
Escrito por Jules às 01:20 | 3 comentário(s) » | marcado em poesia |
Dias no mundo
Tem dias que a tristeza do mundo
repousa em meus fracos ombros trôpegos.
Ai, dias de martírio...
Hão de chorar, por mim e por ela,
os cinamomos, que sabe também
as cerejeiras róseas, sublimando lágrimas
na diáspora do sol, em tarde-chuva.
Preso a cadeias de palavras
que não significam e só dóem
porque doer é seu destino.
Por trás da liberdade,
o choro afinca, se não liberta.
Tem dias que o amor do mundo
recai em meus olhos cansados de ver.
Dias de mistério...
Quantos será que arranjam-se espaço
em mim...
Se é rubi ou esmeralda,
troca-se dois por nada
entre amor e tristeza em passo etéreo.
Conjuro feitiço algum,
acabo hipnótico
dentro de meu próprio sonho,
gaiola mansa.
Escrito por Jules às 01:20 | 3 comentário(s) » | marcado em poesia |
Ladrão de almas
O ladrão de almas!
Preso na esquina de barro,
espreitando novas vítimas.
Você, mocinha linda,
que mais pura não se faz!
Decisões são simples quando não há escolhas.
Vem cá já, oferece-me-lhe.
Que é aquele lá, perdido na via...
ah! Alma feia... fria...
não vale a pena ser tão pequena:
calma lá que também sou limpinho...
espera enrutido feito da flor o espinho.
Consome tudo o que alcança
e faz tantas vítimas ao luar
que não me assusta o mundo novamente a acordar morto...
Se alma vira alimento,
os homens hão de dormir com um buraco em si.
A noite corre, de qualquer forma...
Escrito por Jules às 01:11 | 9 comentário(s) » | marcado em poesia |
Mentiras que nos contamos
Da mesma fonte de onde partimos,
onde esperamos chegar, por sorte ou destino,
atravessando a própria ciência e existência humana
e as paredes simplesmente frágeis,
flui puro pelas passagens
o ventre do verdadeiro amor.
É de onde me agarrou a alma cega
e fez sua artimanha, plano de fuga,
fisgou da terra a luz toda
e levou a olho de moça nova:
eis ali na curva do coração,
foste meu verdadeiro amor.
Mas quando encosto-me no quadro da memória
não há certeza de mais cousa, nada.
Deito frio e acordo morto
cada pouquinho só mais louco,
cadê o sangue partido, o bem-perfeito
indefecto, és tão minguante assim,
és meu verdadeiro amor?
O mal que atravessou séculos
deu-se seu jeito até mim.
Não dói; queima.
Mas morimbundo que saio,
passos retos nas calçadas viradas
e no enxame do pensamento ininterrupto
interrompe-se-me de súbito.
Não és, pois, a face parda trancada à rua
e que recomeço a reconhecer, não é vero?
Serás tu o meu amor verdadeiro!
Escrito por Jules às 22:33 | 2 comentário(s) » | marcado em poesia |
Sobre harmonia...
Se minha expressão de tristeza pura
passase por caminhos conhecidos
parasse o trânsito e os corações
de gente como a gente!
Mas não,
espero o controle da mão divina,
invisível a ponto de sumir,
que me faça companhia durante séculos,
o primórdio e os tantos momentos
(momento é tudo aquilo que congela o tempo e nunca mais devolve-nos).
Momento vagabundo,
deu-me sorte de mantê-lo em pé!
Mas sabe, assim como as estrelas voam parafusas,
que minha expressão cabe mais que no instante
onde vi e decidi todo o meu futuro
passaria, passando, passado,
de minha soleira a solidão já é amiga
(solidão é todo o ato sozinho que devemos repartir com nós mesmos,
não importa que horas, que tempo ou que momento).
Escrito por Jules às 14:57 | 1 comentário(s) » | marcado em poesia |