Acordei em meio à noite
na penumbra do giga-nada
preso em twilight de subúrbio.
A cabeça em peso; distante,
voltada e fechada.
Um ponto brilhante, apenas,...
apenas este mesmo lugar-incomum
sortido em pilhérias.
Abri os olhos! mas as coisas não desejam ser vistas.
Acabo estrangeiro e dormente.
Peço pela luz, peço por todos
anjos que se escondem nas esquinas!
Mas são surdos? As estátuas
na praça da meia-noite
acompanham o martírio, com tristeza.
Teus braços são duros!
Tuas formas, enigmáticas... que adivinho
sem interesse algum no acerto.
A torre do Castelo continua seu papel
de reinar indiferentemente ao rei.
A noite passa sublime; passaria,
não fossem tantas vontades.
Acordei em destino: sim,
Admito!
Mas foi apenas em intuito de testar-me
a ver se atingo
um adormecer deveras.
Desacordar súbito
Escrito por Jules às 00:25 | 0 comentário(s) » | marcado em poesia |
Poemando (po ê ziah)
Poesia
essa heresia
que é inerte
que não diverte
a miúda letra ácida
o final da audácia
da falácia da mente,
do meu eu consciente.
Dôo meu subconsciente
das margens vivas a mais diferente
consumindo da parede o retrato
mantido morto, ou eu que mato?
Do braço, acessório
cai em eco notório
e alcança os passos que divido
na terra de laço partido
em tempo de lutar o campo
de ser nada, de ser tanto!
Um desligamento completo,
aqui o consumo discreto
da hora simples recaída
em nostalgia sem saída...
eu durmo, perco a inocência
cai a sílaba sem procedência!
Porém consigo ainda cantar, num imenso mar imerso,
Todas as lindezas do contemplar de meu humilde verso.
Escrito por Jules às 19:05 | 1 comentário(s) » | marcado em poesia |
Poemificar
Tudo começa com uma idéia,
uma visão incontada; um sonho claro.
Viaja entre vôos e saltos
numa onda multicolorida...
chega então a folha branca,
sempre branca,
com seus olhos devoradores e
pinças cintilantes.
Eis lápis - caneta - pena e tinta!
Anda e transcreve as visões que tive
com a beleza imperfeita da língua, vai!
E as palavras vão caminhar o céu.
Iniciam-se versos e contrações,
tudo isto saindo de mim,
caindo no espaço importante das linhas;
é virado ao avesso.
E caí no final! Mas com
um sorriso de quem se fez
inacabável, inacabado.
Um raro cristal, ludibriando a verdade,
valendo um preço injuso e imensurável.
E assim, as atenções migram ao poema
esquece-se no transe o poeta-dilema,
que muta a ser admirador.
Até a poesia mantém inerte, intacta,
sua função hipermetalingüística.
E é nesse último verso que me encontro mais inteiro; diverso.
Escrito por Jules às 21:03 | 1 comentário(s) » | marcado em poesia |
Eu aqui e agora
Eu aqui
sentado vivo e todo impessoal
(pareço verbo)
preso, entrelaçado em cadeia banal;
esta pena forçada
com muito suor escondida
debaixo dum cabelo tal tão belo.
E sinto-me numa corrida circunflexa
(sento na cadeira e viro circunflexo)
em que os vencedores - vencedores? -
concluem antes e perdem todo o sentido.
Distendido assim num corrimão quebrado...
entendido porém um coração compartilhado,
envolto duma sensação do mundo inteiro
e reforma dormente, o tudo e o meio.
Sinta o perfume! Ah, da vida nova!
A vida leve que voa em nuvem
e aterrisa em chuva.
E formam-se protestos
e criam os ideais
e o mundo combina-se, ofusco,
parece montanha-russa!
Parece mito, o conflito vital
e o lago, afago magro:
mas me é tão meu,...
faz tão bem! Insisto colorido,
faz-me assim tão bem.
Escrito por Jules às 22:39 | 1 comentário(s) » | marcado em poesia |
Sonhohnos
Estava tão bom...
eu ali sentado torto...
senti-me tão verídico! E composto.
A borboleta preta perfurando línguas sujas,
óh! dai-me tuas emblemáticas asas,
vou-me seguindo a voar...
cores, milhares,
paletas e tons, pintar o céu
de trinta maneiras diferentes...
tudo isto num minuto! Acho incrível!
O campo, o verde rolante,
a vertente da vida!
E o profundo caminho abissal
que arde na memória;
materializa-se a uma distância curta
estas garras em forma de sorrisos
(cada vez mais próximas)
e os escudeiros urram,
os ouvidos ressoam!
Escalas arpejos acordes
escuto de canto, canto
vem e vai e vi e vui
os contratempos de um mundo,
abrangente como é - magia! - e
diferente como descobriu-se ser.
Ser sem existir,
em sua forma intocável
o paraíso de meu sonho.
Escrito por Jules às 19:40 | 0 comentário(s) » | marcado em poesia |